O mundo explode por causa de mísseis, mas ninguém presta atenção na pequena bombinha. Seu potencial destrutivo, aparentemente míninimo, jamais poderá equivaler ao de uma dinamite. É só uma bombinha, até uma granada oferece mais riscos. É só uma bombinha, não causará estragos irreparáveis. Talvez faça barulho quando explodir, mas deve ser um daqueles ruídos de traques que não incomodam muito. Pequena bombinha.
Estilhaços se dispersam em todas as direções quando uma mina subterrânea é ativada. Uma grande explosão é provocada quando uma dinamite é disparada. Boom. Um barulho ensurdecedor, seguido pelo silêncio dos destroços se assentando juntamente com a poeira. A bombinha está embaixo do entulho. Tic, tac, tic, tic, tac, tic. É um ruído regular e quase inaudível. Quinze segundos para que a bombinha exploda. Ninguém espera um espetáculo assustador. Ninguém foge. É só uma bombinha.
10... 9... A pequena bomba vibra sob o concreto. O "tic tac" torna-se mais frenético. Alguém denuncia o barulho distinto. 6... 5... Ninguém ouve. É só uma bombinha. 4...3...
2...1. A bombinha explode. A destruição se dá em poucos segundos. Corpos caídos em todas as direções, mutilados, feridos, mortos. Destroços de coisas e de gente. Silêncio. A imagem grita por si. Foi só uma bombinha.
Isolation
sábado, 22 de janeiro de 2011
Ela pegou a minha camisa pra enxugar as lágrimas. Ela chorou ali, sentada na minha cama, soluçando "porquês" incompreensíveis e retóricos. O que eu poderia dizer? Eu a abracei forte, querendo roubar a sua dor. Eu sabia que precisava sentir algo, sabia que aquele não era o momento de fingir compaixão. Eu tinha que sentir, tinha que chorar com ela. Mas eu não conseguia, e todas as vezes que eu tive a necessidade de incorporar aquele sofrimento, eu a apertava mais contra mim, na tentativa de que toda a sua tristeza fosse transferida diretamente para mim. Quando eu achava que ela estava se recuperando, mais lágrimas brotavam dos seus olhos tão miúdos e marejados, e ela se desfazia em um choro agonizante. Abraçá-la não era suficiente. Eu não consegui roubar a sua dor. Então chorei com ela. Não importa se as lágrimas não tenham sido sinceras, eu não estava triste pelo mesmo motivo que ela. Eu finalmente consegui sentir culpa. Arrependimento pelo que eu não sentia. Se ela pudesse ler a minha mente, ela estaria chorando muito mais, e correndo para longe de mim.
quinta-feira, 20 de janeiro de 2011
Saudades do que eu nunca tive
Segura a minha mão e diz que não estou louco. Vamos andando, olhando pro chão, para não darmos mais passos em falso beirando o abismo.
Nossa vida já é margeada de precipícios, eu não quero cair de novo. Mas se você quiser, podemos pular. Eu me jogaria sem culpa se estivesse segurando a sua mão. O contato das nossas palmas produz a faísca necessária à minha combustão. Eu quero queimar, baby, quero queimar com e por você.
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Nossa vida já é margeada de precipícios, eu não quero cair de novo. Mas se você quiser, podemos pular. Eu me jogaria sem culpa se estivesse segurando a sua mão. O contato das nossas palmas produz a faísca necessária à minha combustão. Eu quero queimar, baby, quero queimar com e por você.
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sábado, 15 de janeiro de 2011
Estou tão perturbado que recuso as ofertas de paz que me fazem. Não sei lidar com o silêncio já que estou tão acostumado aos gritos, e na minha situação, quando os berros cessam, é sinal de que as coisas pioraram. Eu não quero tranquilidade, só me sinto bem enquanto o caos a que me habituei continuar me preenchendo.
sexta-feira, 14 de janeiro de 2011
Sinto-me sujo, corrompido pelas imundícies da condição humana. Apodreço por dentro - decomponho-me por fora. E todas as carcaças coexistem na sarjeta infinita, vagando sem a majestade fantasmagórica das almas; somente corpos, corpos putrefeitos e empoeirados, esqueletos carbonizados, cabeças ao longo da alameda. Somos imperfeições. Somos humanos! Carregamos toda escória em nosso interior. Cada um traz em si um pouco do que abomina.
quinta-feira, 13 de janeiro de 2011
Estou perdendo a capacidade de sentir. Não é indiferença, instabilidade ou apatia; é uma estranha sensação de distância. Como se eu estivesse me afastando de mim, perdendo o caminho de volta à minha vida e alienando-me de tudo, voluntariamente. Eu preciso sentir, eu quero sentir, mas eu não consigo ir além de fingir. Desapareço mais a cada dia. Meu sorriso é um contorno vazio. Parece que estou me desintegrando, perdendo a forma e a essência. Definhando com meus delírios. O meu choro é um falso apelo; um grito líquido e sem esperanças. Não sei mais o que sou e até questiono minha existência. Talvez eu seja nulo, mas nunca incompleto. Sempre estou cheio ou vazio. Continuo me tornando infinito, perdendo o foco; escorregando nos termos mais abstratos da maneira em que me vejo.
- I don't know where I belong.
- I don't know where I belong.
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