sábado, 22 de janeiro de 2011

Ela pegou a minha camisa pra enxugar as lágrimas. Ela chorou ali, sentada na minha cama, soluçando "porquês" incompreensíveis e retóricos. O que eu poderia dizer? Eu a abracei forte, querendo roubar a sua dor. Eu sabia que precisava sentir algo, sabia que aquele não era o momento de fingir compaixão. Eu tinha que sentir, tinha que chorar com ela. Mas eu não conseguia, e todas as vezes que eu tive a necessidade de incorporar aquele sofrimento, eu a apertava mais contra mim, na tentativa de que toda a sua tristeza fosse transferida diretamente para mim. Quando eu achava que ela estava se recuperando, mais lágrimas brotavam dos seus olhos tão miúdos e marejados, e ela se desfazia em um choro agonizante. Abraçá-la não era suficiente. Eu não consegui roubar a sua dor. Então chorei com ela. Não importa se as lágrimas não tenham sido sinceras, eu não estava triste pelo mesmo motivo que ela. Eu finalmente consegui sentir culpa. Arrependimento pelo que eu não sentia. Se ela pudesse ler a minha mente, ela estaria chorando muito mais, e correndo para longe de mim.

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